quarta-feira, 13 de junho de 2012

Mistificação na religião



 Conheci a Umbanda quando eu tinha 15 anos de idade. Confesso, eu morria de medo quando eu acompanhava meu irmão aos trabalhos, eu ficava acuada, na assistência, implorando a Deus que nenhum espirito incorporado me chamasse nem para um passe. Tudo era novo para mim. Aos poucos fui me encantando, e os atabaques se tornaram a minha grande paixão. Em casa eu treinava na mesa, e quando comecei a pegar uns toques decidi que queria entrar para o terreiro, mas ainda tinha muito medo, não queria de forma alguma ser médium girante, eu ainda não tinha me acostumado com a ideia de estar em contato direto com espirito. Por fim, o tempo passou, e lá eu estava na gira.
Despertei não só amor pela religião, mas como eu era iniciante, era cheia de duvidas e curiosidade, procurava sempre ler, entender a espiritualidade, os espíritos... Li “O livro dos médiuns”, “Livro dos Espíritos” de Allan Kardec... Sobre a Umbanda, o primeiro livro que li foi “Umbanda Perguntas e Respostas” de J. Edson Orphanake.
 Hoje trarei aqui um caso pitoresco extraído deste livro para dar inicio ao tema “MISTIFICAÇÃO”... No inicio da minha caminhada eu tinha medo dos espíritos, agora o que me assusta são os mistificadores, esses sim são perigosos e denigrem a nossa religião.
Do livro “Umbanda Perguntas e Respostas” de J. Edson Orphanake:
 “Os médiuns acharam por bem fazer uma festa de Exus e ficou combinado que todos trariam bebidas e comestíveis, No dia marcado cada um trouxe alguma coisa: bolinhos Farofa, carne, outras comidas e até uma pizza, além da farta variedades de bebidas, tudo em abundancia. Aberta a sessão, desceram os exus e foi aquela festa! Todos conversaram, riram, comeram e beberam à vontade. A certa altura, já de barriga cheia, todos descansavam sentados nos bancos. Aí, um deles, não se sabe por qual motivo, pegou um litro de álcool e duas garrafas de cachaça, misturou-os, derramando o conteúdo numa bacia, virou-a e esparramou o liquido no chão cimentado do terreiro, escorrendo para baixo dos bancos, e, ato continuo, apanhou uma vela acesa, pôs fogo. Em seguida berrou: “Lá vai fogo. Salve-se quem puder!”O fogo invadiu o centro do salão e entrava por baixo dos bancos”. Ah! Foi um corre-corre geral. Dois ou três Exus correram para a porta e disputaram a maçaneta aos empurrões; alguns desembestaram para o corredor e outros se cotovelaram num canto, fugindo das labaredas. Reboliço geral, até que o fogo se apagou sem maiores consequências, a não ser o pavor das “entidades”... Imagine você, Exús correndo com medo... Claro, a conclusão a que se chega, é que não existia nenhum Exú ali incorporado e o pânico foi causado pelos “Mediuns” os quais, eles sim, apavoravam-se com medo do fogo... A Umbanda é seria honesta e autêntica, todos sabem, mas não está livre de manifestações, muitas das quais só se descobre pregando alguma peça como a que foi descrita.
Bom. Além dos intolerantes religiosos não estamos livre de pessoas da mesma religião que de uma forma ou de outra a denigrem... Agora nos resta saber de quem é a culpa: dos médiuns ou dos seus orientadores..."

Eu particularmente já estive presente em determinados lugares que mais pareciam tribunais de contas, aonde “entidades” vinham como advogados de seus respectivos “cavalos.” É tipo assim: se eu falando não tenho credibilidade quem sabe a minha entidade venha ter. Usar a suposta “entidade” para determinar regras, ordens para os “tolos” seguirem, ou argumentos para que acreditassem neles. Misturam o particular com o espiritual... Complicado...
Pressão, regras, disciplinas infundadas... Verdadeiro caos... Absurdos atrás de absurdos... Um vai e vem de imposições e no fundo vira uma bagunça... Uma “mistureba” onde nem “entidade” (supostamente falando), nem médium são levados em conta com tanta palhaçada. Quer saber o resultado? Simples: Mistificação! O único meio de tentar resolver a alienação no qual se colocaram. Tentam corrigir erros, sobressair para dar continuidade ao seu egocentrismo conscientemente ou não...
E sem esse papo de Eguns, Espíritos zombeteiros que se passam por entidades de luz... Estou falando de “marmoteiros” ou simplesmente médiuns mal evoluídos em sua espiritualidade ou que não se permitem evoluir em sua mediunidade e usam “entidades” para tomarem as dores dos outros, ou se defenderem seja lá do que for.
Não falo de todos, não generalizando, mas muitos carregam o Orixá na barriga em vez da cabeça ou coração. Será tão difícil separar particularidades da espiritualidade? Eu já vi até mãe de santo proibir ex-médiuns de frequentar seu terreiro por problemas particulares com consentimento dos seus guias... Será mesmo este um lugar de caridade? Fico imaginando, se um médico depois do seu juramento na profissão que decidiu seguir, se recusar salvar a vida de um assassino, estuprador; etc.; Eu acho que, quem não tem a capacidade de assumir uma missão espiritual não deveria se atrever, ou já que se atreve deveria ao menos tentar evoluir em suas aprovações...
Já ouvi muito falarem “O médiun no seu consciente interfere na linguagem da entidade” É quem sabe... Pode ser... Sendo assim, Volte ao desenvolvimento, converse com seu sacerdote espiritual, se o mesmo lhe disser a mesma coisa sobre a sua influencia sobre a entidade e achar isso normal... Procure outra orientação... Não é normal quando se é bem instruído, e bem explicado como se deve ser a espiritualidade... Cabe também ao bom aluno aprender a lição de casa, se entregar aos ensinamentos, se instruir e trabalhar melhor a sua evolução a qual sua missão lhe foi incumbido espiritualmente falando (seja médium de incorporação consciente ou não), já que aceitou e tomou consciência disso. Se bem que o médium também é culpado, mas não vamos eximir da culpa o lugar onde ele foi iniciado ou deu continuidade. O mestre também faz a diferença!
Ás vezes os próprios orientadores alimentam em seus filhos a vaidade, os elevando a um grau espiritual além do que eles ainda alcançaram, alimentando assim seus egos, os fazendo acreditar que estão em uma escala maior. Talvez ai esteja o agravante, onde se dá o termo: “O Médium influencia a entidade.” Não! Não! “O médium usam a “entidade” de forma errônea dentro de sua vaidade para se comunicar, para ter credibilidade, já que eles “médiuns” não passam de falsos PURITANOS ou mal instruídos, ou iludidos pela falsa ideia que já chegaram ao supremo ou por que os colocam em um pedestal imaginário por simples bajulação ou interesse maior... Por qual motivo? Sabe-se Deus! Só os próprios para dizerem! Quem sou eu para falar tudo isso??? Ninguém além de uma pessoa que estará sempre em eterna evolução, e que não nega meus erros, minhas falha, e não me envergonho de assumir isso, pelo contrário, assumo, não uso mascara de boa samaritana, nem de profeta ou sábia como muitos me titulam ironicamente só por que expresso o que eu penso e sinto. Busco a cada dia me aprimorar espiritualmente, pois a matéria se acaba, mas o espirito não! Estou em busca  constante de evoluir espiritualmente, não é fácil, ainda mais vivendo em um mundo material e mesquinho rodeada de pessoas como eu: HUMANO e não SANTOS.
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